Desculpa

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"Te olho nos olhos e você reclama que te olho muito profundamente.
Desculpa, Tudo que vivi foi muito profundamente...
Eu te ensinei quem sou...
E você foi me tirando os espaços entre os abraços,
Guarda-me apenas uma fresta.
Eu que sempre fui livre,
Não importava o que os outros dissessem.
Até onde posso ir para te resgatar?
Reclama de mim, como se houvesse possibilidade de me inventar de novo.
Desculpa...
Desculpa se te olho profundamente, rente à pele a ponto de ver seus ancestrais nos seus traços.
A ponto de ver a estrada onde ficam seus passos.
Eu não vou separar minhas vitórias dos meus fracassos!
Eu não vou renunciar a mim;
Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser... vibrante, errante, sujo, livre, quente.
Eu quero estar viva e permanecer te olhando profundamente."



Fabrício Carpinejar
 
 
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