Liberdade do "EU"

Uma análise rigorosa nos forçará a concluir que o “eu” não reside em nenhuma parte do corpo. Ele não está nem no coração, nem no peito, nem na cabeça. Ele também não é algum tipo de entidade difusa, como uma substância que permeia o corpo.
Acreditamos que o “eu” está associado à consciência, mas ela também é um fluxo que nos escapa: em termos de experiência viva, o momento passado da consciência está morto (só permanece o seu impacto), o futuro ainda não está lá, e o presente não permanece. Como pode existir um “eu” separado, suspenso como uma flor no céu, entre algo que não existe mais e algo que ainda não existe? Ele não pode ser detectado nem no corpo nem na mente; não é nem uma entidade distinta na combinação dos dois, nem algo externo a eles.
Nenhuma análise séria, nenhuma experiência contemplativa ou introspectiva direta pode justificar um sentimento tão forte de possuir um “eu”. O “eu” não pode ser encontrado naquilo a que o associamos. Qualquer um pode pensar que é alto, jovem e inteligente, mas nem a altura, nem a juventude e nem a inteligência são o “eu”.
O budismo conclui que o “eu” é apenas um nome pelo qual designamos um continuum, como ao darmos a um rio o nome de Ganges ou Mississipi. Esse continuum certamente existe, mas de modo puramente convencional e fictício. É inteiramente desprovido de existência autônoma.
Certo dia, um tibetano foi visitar um velho sábio na cidade de Ghoom, próxima a Darjiling, na Índia. Ele começou contando a esse sábio todos os seus infortúnios passados, em seguida passando a fazer uma lista de tudo o que temia quanto ao futuro. Durante todo o tempo, o velho sábio ficou com toda a calma assando batatas em um pequeno braseiro que estava no chão à sua frente.
Passado algum tempo, disse ao seu queixoso visitante: “De que adianta preocupar-se com coisas que não existem mais e com coisas que ainda não existem?” Perplexo, o visitante parou de falar e permaneceu calado por um bom tempo ao lado do sábio – que, de quando em quando, lhe estendia uma batata quente e tostada.
A liberdade interior nos permite saborear a lúcida simplicidade do momento presente, livre do passado e emancipado do futuro.
Libertar-nos da invasão de memórias do passado não significa que sejamos incapazes de tirar lições úteis da própria experiência.
Libertar-nos do medo do futuro não torna incapazes de nos aproximarmos dele com lucidez, mas nos salva de atolar em pensamentos inúteis.
Liberte-se do passado, liberte-se do futuro e viva seu presente!

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